Confira como está a corrida para a eleição à presidência do Bahia

Parece distante, mas a partir desta segunda-feira (9) restam só 60 dias para a eleição do novo presidente do Bahia. O pleito acontecerá no dia 9 de dezembro, na Fonte Nova. Todos que forem sócios há mais de um ano e estejam adimplentes no dia da eleição poderão votar.

O prazo para que os candidatos se inscrevam é ainda mais curto: até o dia 3 de novembro. Ainda assim, as principais forças políticas seguem costurando alianças, principalmente em torno de quem apoiará o provável candidato e nome que agrada aos principais grupos, o secretário municipal Guilherme Bellintani.

A prioridade, porém, é do presidente do clube, Marcelo Sant’Ana, que segue sem definir se será candidato à reeleição. “Vou me pronunciar ainda neste mês”, disse ao CORREIO. “Questionamentos políticos são naturais, mas prefiro me concentrar na gestão do clube. Sigo focado em trabalhar para o Bahia fazer boa reta final de Série A”, completou.

Com Sant’Ana, a aliança do grupo Simplesmente Bahia (SB), que o indicou, com a Revolução Tricolor (RT), do vice-presidente Pedro Henriques, seria renovada com a chapa desta forma.

Nos bastidores, porém, situação e oposição já consideram que o mandatário estará fora do pleito. Sem Sant’Ana, o secretário de desenvolvimento e urbanismo de Salvador, Guilherme Bellintani, surge como nome de consenso dentro do Simplesmente Bahia. Ele já havia sido convidado pelo grupo para concorrer em 2013 e em 2014, mas não quis.

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Um dos líderes do SB, Oldgard Freitas, confirmou a preferência por Bellintani: “A gente vai esperar a decisão de Marcelo, o que não deve demorar. Em ele não sendo candidato, um dos nomes é o de Guilherme, com certeza, pois tem uma relação excelente com todos os grupos”.

Bellintani tem a simpatia da situação, por parte da Revolução Tricolor, e dos principais grupos de oposição: Integridade Tricolor (IT), liderado por Antônio Tillemont – segundo colocado nas eleições de 2013 e 2014 – e Voz do Campeão (VOZ), liderado por Fernando Jorge - ex-presidente do Conselho Deliberativo e terceiro colocado em 2014.

Os dois lados, então, vêm cortejando o apoio a Bellintani, considerado favorito caso confirme candidatura. A Revolução Tricolor confia na similaridade de propostas – já que o SB fez parte da atual gestão nos últimos três anos. Neste cenário, Bellintani pode fazer chapa com o atual vice-presidente do clube, Pedro Henriques – embora esta opção seja improvável no momento – ou outro integrante da RT.

Já a oposição oferece uma base maior de votos. A conta é simples: Bellintani teria o apoio de três dos quatro grupos mais votados da última eleição, em 2014. Neste cenário, o candidato a vice-presidente seria Marcus Verhine, da Voz do Campeão.

Cenários

O SB é tratado como um elemento que pode definir a eleição: “De fato, estamos sendo procurados por todos, da situação à oposição. Nosso objetivo é não deixar que o trabalho desenvolvido no Bahia involua. Se para isso for necessário fazer composição com grupos diferentes ou apoiar outros candidatos, estaremos dispostos”, diz Oldgard.

Dentre estas duas opções, segundo apurou o CORREIO, a que está mais avançada é a do Simplesmente Bahia se aliar à Integridade Tricolor e à Voz do Campeão. Uma aliança com a Revolução Tricolor demandaria o aparo de arestas maiores, principalmente em relação ao nome do vice-presidente.

Uma composição envolvendo os quatro grupos é amplamente improvável. A IT e a RT têm sido adversários ferrenhos nos últimos três anos, inclusive com troca de farpas em público e nas redes sociais.

As alternativas à escolha de Bellintani também já estão na mesa: se ele fechar com a situação, a oposição concorreria com Olavo Fonseca, da VOZ, tendo Tillemont como vice-presidente. Se o secretário se aliar à oposição, a RT deve lançar voo solo com Pedro Henriques para presidente e outro integrante do grupo na chapa. Henriques já teria iniciado conversas para obter apoio caso isto se confirme.

Em contato com a reportagem, Pedro Henriques rejeitou comentar esta possibilidade: “Não é o momento para falar disso, até porque a preferência da RT e a minha em particular é de que Marcelo Sant’Ana seja candidato à reeleição”.

O CORREIO também procurou contato com Guilherme Bellintani para esta matéria, mas não obteve resposta.

Líder da Integridade Tricolor, Tillemont confirmou a ideia de apoiar Bellintani: “Ele seria o nome natural do SB e as conversas estão existindo entre estes grupos há quase 40 dias. O que todo mundo concorda é que ele será um presidente com muita experiência, o que faltou na atual gestão”.

Já Fernando Jorge, da VOZ, deixou claro que aguarda pela aliança com Bellintani: “Temos a certeza de que a união dos grupos que alcançaram a democracia é o melhor para o Bahia. Houve um rompimento destas forças em 2014, e estes três anos mostraram que não podemos mais ficar separados. Guilherme seria a maneira ideal de unir todos”.

Candidatos independentes

Outros grupos se movimentam para ganhar a simpatia dos sócios que estão insatisfeitos com a atual gestão e que não confiam nos dirigentes que já fizeram parte do clube em algum momento.

O mais tradicional é o Nova Ordem Tricolor (NOT), que concorreu à presidência na eleição de 2014 com Marco Costa. O candidato obteve 243 votos, 5,6% do total. Já a chapa para o Conselho Deliberativo obteve 261 votos, e ocupa seis cadeiras no órgão.

Presidente da NOT, Leandro Neves diz que o grupo terá novamente uma chapa ao conselho, mas não definiu se lançará um nome próprio à presidência: “Estamos observando como os grupos estão se colocando e vamos fazer uma série de reuniões para definir. Existem pessoas da NOT que têm o projeto de ser presidente, e alguns sócios estão pedindo para que antecipem isso”.

Conselheiro eleito em 2014 pela NOT e neto do ex-presidente Paulo Maracajá, Ricardo Maracajá seria o candidato em questão: “Nunca escondi que tenho esse desejo de ser presidente, mas vinha estudando este projeto para 2020. Diante do cenário que está se desenhando, alguns sócios vieram me pedir para que antecipasse. De fato, existe esta possibilidade”, explica.

O único pré-candidato já lançado é Abílio Freire, pelo Mais Um, Baêa! (MUB), nomeado em assembleia anteontem. O grupo tem inclusive um grupo de trabalho pronto: Aldo França, ex-observador da base do Bahia, seria o coordenador da base caso Abílio seja eleito, e o ex-atacante Marcelo Ramos seria supervisor de futebol.

O MUB será o caçula entre os grupos com um candidato próprio à presidência. Ele surgiu em setembro de 2015 e participará da sua primeira eleição: “Nossa ideia não era ter um cunho político, queríamos um lugar para o torcedor dizer o que pensa e levar suas ideias até a diretoria. Como nunca nos deram essa chance, decidimos concorrer ao pleito”, explica Abílio.

O grupo também concorrerá ao Conselho. Se levar para as eleições os números que alega ter, o MUB promete ser forte na eleição: “Temos 78 grupos de WhatsApp, mais de 9 mil integrantes (nem todos sócios aptos a votar) e mais de 42 mil seguidores nas redes sociais”, diz Abílio.

 

Fonte: Correio24horas

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