Primeira reunião do Comitê define ações para combate aos assaltos a ônibus

A perspectiva de ações mais efetivas e coordenadas envolvendo Estado, Prefeitura, Judiciário, Ministério Público, empresários e sindicalistas no combate à violência no sistema de transporte coletivo animou a direção do Sindicato dos Rodoviários que participou, na tarde desta quinta-feira, da primeira reunião do Comitê Integrado de Defesa do Transporte Rodoviário, realizada no Centro de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública.

“É a primeira vez que essas instâncias se unem na busca de solução efetiva para um dos mais graves problemas da cidade”, destacou Fábio Primo, presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários. A parceria entre os diversos órgãos já vinha sendo proposta há muito tempo pelos rodoviários, por entender que é necessário maior interação entre os vários setores e uma abordagem mais ampla do problema.

Um dos pontos do debate foi a audiência de custódia. “Quase 90% das situações de roubo resultam na soltura dos presos após a audiência de custódia”, destacou o major Edson Lima, comandante da Operação Gêmeos. Os rodoviários são testemunhas dessa situação. “O companheiro é assaltado em um dia, acompanha o flagrante e no dia seguinte encontra o assaltante solto, andando na rua”, reforça Fábio Primo.

A reincidência também é apontada pelo delegado José Nelis, do Grupo Especial de Repressão a Roubos de Coletivos (Gerrc) como um dos problemas no combate a esse tipo de crime. Ele cita casos em que mesmo quando o crime é praticado com muita violência, o acusado é solto dias depois e volta a cometer o mesmo delito.

Outra questão abordada foi a dificuldade de acesso às imagens gravadas pelas empresas dentro dos ônibus. Segundo o comandante da Operação Gêmeos, solicitações feitas em maio estão sendo disponibilizadas agora e com baixa qualidade. O secretário Maurício Barbosa entende que essa ação deve ser automática, as empresas não precisam esperar um ofício com a solicitação.

Os rodoviários destacaram ainda a grande preocupação com o aumento dos casos de vandalismo nos finais de linha, com incêndio de ônibus e agressão a trabalhadores. Em todos os episódios, o Sindicato deslocou o final de linha e contou com o apoio da Polícia Militar. Maurício Barbosa sugeriu que a Prefeitura lance campanha para sensibilizar a população com alerta de que o mais prejudicado com a queima de ônibus é a própria comunidade.

Foram definidas ações que cada instituição deverá apresentar na próxima reunião do Comitê, agendada para 13 de setembro. O juiz Antonio Faiçal, do Tribunal de Justiça da Bahia, em parceria com a Gerrc, fará um levantamento dos casos de soltura de assaltantes de coletivo no primeiro semestre deste ano, para avaliar se fogem dos parâmetros e as medidas que podem ser adotadas do ponto de vista do judiciário.

 

Participaram ainda da reunião, o comandante-geral da PM, coronel Anselmo Brandão, o delegado-geral da Polícia Civil, Bernardino Brito, e o coman-dante do Batalhão de Polícia Rodoviária, tenente-coronel, Nilton Paixão, o promotor Geder Luiz Rocha Gomes, o diretor do Setps, César Nunes, o diretor de Transporte da Semob, Matheus Moura, e o coordenador do Centro Integrado de Monitoramento do município, Valney Teixeira.

 

 

 

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