Mexer no ovo da serpente

No início de sua visita oficial a Israel, o presidente Jair Bolsonaro ofereceu neste domingo a abertura de um escritório comercial em Jerusalém, em vez da prometida transferência da embaixada brasileira de sua atual sede, em Tel Aviv.

Ainda assim, Bolsonaro não conseguiu se esquivar da reação dos palestinos. Na mesma noite de domingo, a Autoridade Palestina convocou seu embaixador no Brasil, para consultas. A diplomacia palestina classificou a medida do Planalto como "uma agressão direta".

Será uma virada de 180 graus na política externa de uma nação que ganhou a admiração de outros países pelo respeito ao direito internacional. O Brasil, desde a criação das Nações Unidas, sempre observou e respeitou as resoluções da ONU que buscam promover a paz.

Se Bolsonaro transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, países árabes podem retaliar o Brasil. Além da perda de mais de U$$ 8 bilhões em negócios, o país pode perder 2,8 milhões de empregos.

Na Arábia Saudita, a maior importadora de carne de frango do Brasil, 90% da carne consumida no país é brasileira – saldo de US$ 1,012 bilhão.

Setor de infraestrutura também pode perder investimentos

Além de perder empregos no setor do agronegócio, o Brasil também perderia investimentos em infraestrutura em portos, estradas e setor elétrico – áreas em que os países árabes já atuam no país.

Os números deixam bem claro que a troca da embaixada não trará muita coisa para os brasileiros além de prejuízos e indisposição com os países Árabes.

Seguir os passos dos EUA e buscar atender a um grupo religioso, contraria a laicidade do país e é de fato mexer no ovo da serpente.

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