DISCURSO DE PALANQUE NÃO VALE. A PRÁTICA É OUTRA COISA

Os primeiros balanços do processo eleitoral revelam não apenas um país dividido entre extremos, o avanço de uma cultura de ódio, racismo e preconceito disseminado em redes sociais, como – e principalmente – o aumento do prestígio de valores até algum tempo condenados por todos os segmentos e classes sociais. 
Figuras que saíram direto das páginas policiais para ocupar cargos de destaque no futuro governo federal, um juiz premiado com ministério depois de ter “abatido” o maior adversário do eleito e de ter assegurado a sua vitória com a revelação de denúncias contra outros candidatos dois dias antes da eleição; um Congresso eleito que já chega pra tomar posse com um terço dos seus componentes respondendo processos na Justiça.
Mas nesta semana, uma das notícias de maior impacto foi do reajuste de 16% para os membros do STF, aprovado - a pedido dos próprios membros do Tribunal - por um Senado em que cerca de 60% dos seus componentes se despedem por terem sido rejeitados nas urnas. 
Fato é que, com um país em crise, que anuncia arrocho dos salários dos pobres trabalhadores, corte de programas sociais, das verbas do SUS e da educação, o aumento dos senhores magistrados, que representa um impacto de quase dois bilhões no orçamento da União, terá efeito cascata automático para todas as carreiras do judiciário e servirá de base para reajustes nos Legislativos e Executivos de todo o país. 
O STF brasileiro está longe dos patamares de eficiência das Cortes Suprema no mundo, mas é o que tem maiores salários e mais benesses (carros, casa, viagens, quantidade de servidores à disposição e auxílio para tudo - veja abaixo) Enquanto na Europa os magistrados ganham em média 4,5 vezes a renda média de seus países, no Brasil o salário do STF - sem reajuste - já equivale a 16 vezes a renda média do brasileiro (que era de R$ 2.154 no fim de 2017).
Encastelados no palácio da justiça, as 11 excelências contam com um batalhão de 2.450 servidores em média, que divididos dá 222 servidor para cada gabinete. São:
293 vigilantes
85 secretárias
194 recepcionistas
116 serventes de limpeza
58 motoristas
25 bombeiros civis
29 encarregados de encadernação
24 copeiros
27 garçons
12 auxiliares de desenvolvimento infantil (isso mesmo que você leu)
8 auxiliares de saúde bucal
19 jornalistas
10 carregadores de bens
7 jardineiros
6 marceneiros
5 publicitários
Tem mais despesas: só com plano de saúde e odontológico o STF em 2017 gastou R$15.780 milhões, com auxílio moradia R$1.500 milhão, com alimentação R$12 milhões, com educação pré-escolar 2.162 milhões, e outro monte de despesas tipo informática (10 milhões). Para atender os ministros o STF conta ainda com 87 veículos (três deles caminhões). 
TOTAL DE DESPESAS EM 2017 - MEIO BILHÃO DE REAIS SÓ COM UM TRIBUNAL
Ou seja, o discurso de austeridade vale apenas para o trabalhador, lado mais fraco da corda.
Você, companheiro, só tem o sindicato a seu favor nessa luta. 
Valorize e defenda a sua entidade.

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